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Pouca evolução: o que celebrar no Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Especialistas da Div.A Diversidade Agora!, Renata Torres, Kaká Rodrigues e Aline Frutuoso analisam o cenário da mulher negra no Brasil e nas empresas


Foto divulgação: banco de imagens


No início dos anos 1990, mais precisamente em 25 de julho de 1992, a República Dominicana foi o país escolhido por um grupo de mulheres ativistas para a realização do 1º encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, visando a união contra o racismo e o machismo em toda a América Latina e no Caribe. Após 31 anos, na celebração do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o cenário não mudou tanto quanto aquelas ativistas idealizaram.

Somente no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56% da população é negra, e as mulheres negras são as que mais se encontram em situação de pobreza e extrema pobreza no país. A pesquisa “Quanto fica com as mulheres negras? Uma análise da distribuição de renda no Brasil”, realizado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/USP), constatou que apenas 1% dos homens brancos pertencentes à elite econômica do país ganham mais do que a totalidade das mulheres negras brasileiras, que representam 28% da população adulta. Ainda segundo o IBGE, a remuneração média das mulheres negras (das que são remuneradas) equivale a apenas 46% do salário de pessoas brancas.

“Por isso a luta da mulher negra precisa ser reforçada neste dia 25. O Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha é uma data importante para chamar a atenção da sociedade e mostrar o quão pouco ela evoluiu nesse aspecto em relação às políticas sociais, de acolhimento e inclusão”, ressalta Kaká Rodrigues, co-founder da Div.A Diversidade Agora! e especialista em diversidade e inclusão. Segundo Kaká, esse panorama social é refletido diretamente nas empresas.

Um estudo de 2022 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que as mulheres negras têm menos probabilidade de serem empregadas do que os homens negros e mais probabilidade de serem contratadas para trabalhos de baixa remuneração.

Renata Torres, também co-founder da Div.A Diversidade Agora! e especialista em diversidade e inclusão, esclarece que uma organização comprometida com a diversidade só tem a ganhar. “Empresas que investem em diversidade e inclusão não apenas promovem a justiça social, mas também podem experimentar uma série de benefícios tangíveis. A diversidade de perspectivas pode impulsionar a inovação, melhorar a tomada de decisões e fortalecer a credibilidade da empresa. Isso pode levar a uma atração de diversos talentos e clientes que valorizam a equidade”, pontua a especialista.

No auxílio da implementação de estratégias para inclusão dentro das empresas, a assistente de diversidade inclusão e equidade da Div.A Diversidade Agora!, Aline Frutuoso, explica a importância de um direcionamento profissional. “A consultoria especializada é uma opção valiosapara empresas que desejam fortalecer iniciativas de diversidade e inclusão. Pessoas consultoras possuem o conhecimento necessário para identificar lacunas existentes, propor estratégias eficazes e ajudar a implementar mudanças nas culturas corporativas, podendo fornecer orientações sobre a criação de programas de liderança inclusiva e treinamentos sensíveis às questões raciais e de gênero”, aconselha Aline.

A assistente explica ainda que “esses profissionais ajudam as empresas a implementarem políticas internas que promovam a equidade, o que fornece as mulheres negras, por exemplo, a chance que precisam dentro da empresa para mostrarem seu valor e poderem conquistar cargos e salários justos, tornando parte do objetivo proposto, em 25 de julho de 1992, um pouco mais próximo da realidade”.

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